PROJETOS

Projetos do INCT


O DigiSaúde desenvolve pesquisas que usam tecnologia e análise de dados para entender e melhorar a saúde da população brasileira — especialmente das pessoas mais vulneráveis.

Nossos projetos atuam em quatro frentes principais:

Vigilância digital em saúde — Monitoramos em tempo real doenças como dengue, chikungunya e diarreias, combinando dados do SUS, buscas na internet e registros clínicos para identificar surtos antes que se agravem.

Mudanças climáticas e saúde — Investigamos como eventos extremos como secas e enchentes afetam a saúde, com atenção especial a crianças, idosos, migrantes e grupos étnico-raciais.

Doenças negligenciadas — Estudamos a anemia falciforme e as arboviroses sob uma perspectiva que vai do dado populacional até os mecanismos biológicos da doença, buscando respostas mais eficazes para quem mais sofre.

Avaliação de políticas públicas — Medimos o impacto real de programas como o Bolsa Família, o Programa Cisternas e o BPC na saúde e mortalidade da população.

Inteligência artificial e modelagem matemática são ferramentas transversais a todos os projetos. Os resultados são traduzidos em linguagem acessível para a sociedade e para os gestores do SUS.

As doenças diarreicas ainda figuram entre as principais causas de mortalidade infantil no Brasil, especialmente em regiões com acesso precário a saneamento e água potável. Identificar um surto antes que ele se expanda é fundamental para salvar vidas e reduzir o impacto sobre os serviços de saúde.

O DigiSaúde desenvolve sistemas de detecção precoce de síndromes diarreicas a partir da integração de dados multimodais — combinando registros clínicos da atenção primária, dados ambientais, climáticos e socioeconômicos. Essa abordagem permite identificar sinais de alerta antes que os casos se acumulem e sobrecarreguem o sistema de saúde.

A inovação está justamente na capacidade de conectar fontes diversas de informação em tempo real, gerando alertas direcionados para gestores locais de saúde. O objetivo é transformar dados dispersos em inteligência acionável — permitindo respostas mais rápidas, melhor alocação de recursos e, acima de tudo, a prevenção de mortes evitáveis.

Doenças como dengue e chikungunya, diarreias na infância, os efeitos das secas e enchentes, e as iniquidades que concentram o sofrimento nas populações mais pobres — esses problemas afetam milhões de brasileiros todos os anos. Entendê-los melhor é o primeiro passo para combatê-los com mais eficácia.

O INCT DigiSaúde é um instituto de pesquisa científica que usa tecnologia — como inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados — para identificar riscos antes que virem crises, avaliar se as políticas públicas estão funcionando e orientar decisões do governo e dos serviços de saúde.

A pesquisa da equipe do DigiSaúde já produziu resultados concretos. Estudos com dados de mais de 140 milhões de brasileiros mostraram que o Programa Bolsa Família contribuiu para reduzir em 17% a mortalidade infantil, 18% a mortalidade materna e 30% os casos de prematuridade. O mesmo tipo de análise revelou desigualdades no risco de morte entre populações indígenas, pretas e pardas — informações que podem embasar políticas mais justas.

Na área de vigilância de doenças, o DigiSaúde desenvolveu o sistema ÆSOP, capaz de detectar o início de surtos infecciosos dias antes dos sistemas convencionais, integrando dados de atendimentos de saúde, venda de medicamentos e buscas na internet. A ferramenta já está em processo de adoção pelo Ministério da Saúde.

O objetivo final é direto: que a ciência chegue a quem mais precisa — em forma de melhores serviços, políticas mais justas e mais saúde para todos.

Entender como um vírus se move pelo território é tão importante quanto identificá-lo. A análise genômica de patógenos permite rastrear rotas de transmissão, identificar variantes emergentes e antecipar riscos antes que se tornem epidemias.

O DigiSaúde realizará o sequenciamento de 2.500 genomas completos de patógenos respiratórios e arboviroses, abrangendo diferentes regiões do Brasil. Por meio de estudos filogenéticos e filogeográficos, o projeto identificará padrões de transmissão e dispersão viral, analisando sua relação com fatores climáticos e sazonais.

Essa estratégia permitirá compreender como vírus emergentes e reemergentes se distribuem geograficamente ao longo do tempo — informação essencial para orientar políticas de vigilância epidemiológica, ações de controle vetorial e respostas a emergências sanitárias. O Brasil, pela sua extensão e diversidade ambiental, é um laboratório único para esse tipo de investigação, e os resultados poderão beneficiar não apenas o país, mas também a comunidade científica internacional.

As mudanças climáticas já estão forçando populações inteiras a se deslocar dentro do Brasil. Secas prolongadas, enchentes e outros eventos extremos empurram famílias para novas regiões, frequentemente em condições de vulnerabilidade que comprometem diretamente sua saúde.

O DigiSaúde investiga os efeitos da migração induzida pelo clima sobre doenças infecciosas e o estado nutricional de adultos, crianças e grupos específicos. O projeto quantificará e caracterizará migrantes expostos a eventos climáticos extremos, comparando perfis de crescimento nutricional entre migrantes e não migrantes, e estimará o risco de desnutrição associado a esses deslocamentos.

Ao cruzar dados de mobilidade populacional, condições ambientais e indicadores de saúde, o projeto busca revelar conexões que ainda são pouco compreendidas pela ciência e quase invisíveis para as políticas públicas. Os resultados poderão informar ações de proteção social e de saúde voltadas a um dos grupos mais invisibilizados nas estatísticas oficiais: as pessoas que migram por necessidade climática.

As vacinas são uma das ferramentas mais poderosas da saúde pública — mas sua efetividade no mundo real precisa ser monitorada continuamente. Condições de armazenamento, variações genéticas dos vírus e características das populações vacinadas podem influenciar os resultados obtidos em campo, que nem sempre correspondem aos ensaios clínicos.

O DigiSaúde ampliará o programa VigiVac, desenvolvido pela Fiocruz durante a pandemia de COVID-19 para análise rápida da eficácia vacinal. A nova etapa avaliará a efetividade de três vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI), com início pela vacina contra a dengue, examinando a redução de casos sintomáticos e de formas graves da doença.

Utilizando vigilância digital e dados de saúde em larga escala, o projeto permitirá respostas mais ágeis a eventuais quedas de proteção e subsidiará decisões sobre calendários vacinais e estratégias de imunização. Em um país do tamanho do Brasil, com grande heterogeneidade regional, monitorar a efetividade das vacinas em tempo real é um passo essencial para proteger a população com mais precisão e eficiência.

A anemia falciforme é a doença genética mais frequente no Brasil, afetando predominantemente populações negras. Apesar de seu impacto significativo, ela ainda recebe atenção insuficiente nas políticas de saúde e na agenda científica nacional.

O DigiSaúde investigará os determinantes sociais e os aspectos imunopatológicos relacionados à gravidade da doença, por meio de um estudo longitudinal acompanhando gestantes e recém-nascidos. O projeto analisará qualidade de vida, taxas de infecção e internações, além de explorar uma questão ainda pouco estudada: o impacto das arboviroses — como dengue e Zika — sobre pacientes com anemia falciforme.

As interações biológicas e imunológicas entre essas condições serão investigadas em nível celular, molecular e clínico-laboratorial. Compreender como infecções por arboviroses agravam ou modificam o curso da anemia falciforme pode abrir caminhos para novas abordagens terapêuticas e preventivas, com impacto direto na qualidade de vida de milhares de brasileiros que convivem com essa condição crônica.

Uma infecção na infância pode deixar marcas que se estendem por anos. Crianças acometidas por doenças diarreicas ou arboviroses no primeiro ano de vida podem enfrentar consequências que só se manifestam mais tarde — no desenvolvimento neurológico, no crescimento físico ou na vulnerabilidade a novas infecções.

O DigiSaúde investigará o risco de doenças neurológicas e hematológicas em crianças que tiveram infecções por arboviroses no primeiro ano de vida, assim como o padrão de crescimento e o risco de infecções subsequentes em crianças com histórico de doenças diarreicas precoces.

Esse tipo de investigação longitudinal é raro no Brasil e pode revelar consequências silenciosas que passam despercebidas nos atendimentos rotineiros. Os resultados ampliarão a compreensão sobre o peso real dessas doenças na saúde infantil e na adolescência, e poderão fundamentar políticas de acompanhamento e proteção voltadas a crianças em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica e ambiental.

Enchentes, secas, ondas de calor: os eventos climáticos extremos são cada vez mais frequentes no Brasil e seus efeitos sobre a saúde vão muito além dos impactos imediatos. Crianças, idosos, migrantes e grupos étnicos historicamente marginalizados são os mais afetados — e os menos visíveis nas políticas de resposta.

O DigiSaúde avaliará os impactos diretos e indiretos desses eventos sobre a saúde de diferentes faixas etárias e grupos populacionais, com ênfase especial na primeira infância. O projeto analisará indicadores como prematuridade, baixo peso ao nascer, óbito fetal, padrão de crescimento e mortalidade até os cinco anos de idade.

A análise combinará dados de políticas sociais e ambientais com registros de morbimortalidade, permitindo identificar quais grupos são mais expostos e quais intervenções têm maior potencial de proteção. Compreender essas relações é indispensável para que o Brasil possa construir respostas em saúde pública que sejam, ao mesmo tempo, eficazes e equitativas diante de um cenário climático em transformação.

Programas como o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Programa Cisternas foram criados para reduzir desigualdades — mas em que medida também protegem a saúde? Essa é uma pergunta central que o DigiSaúde busca responder com evidências.

O projeto analisará os efeitos dessas políticas sobre a mortalidade geral e por doenças infecciosas de caráter epidêmico na população brasileira, com atenção especial a grupos étnicos e socialmente vulnerabilizados, incluindo migrantes internos. O objetivo é compreender se e como a renda e o acesso à água têm impacto mensurável na proteção contra epidemias.

Em um país marcado por profundas desigualdades, entender a relação entre proteção social e saúde é fundamental para o desenho de políticas mais eficazes. Os resultados poderão indicar, com base em dados robustos, quais programas têm maior retorno em termos de vidas preservadas — oferecendo subsídios concretos para gestores e legisladores comprometidos com a redução das iniquidades em saúde no Brasil.

Compreender a relação entre clima e saúde exige ferramentas capazes de lidar com enormes volumes de dados, múltiplas variáveis e sistemas dinâmicos que interagem de formas nem sempre previsíveis. É aqui que a inteligência artificial e a modelagem baseada em sistemas complexos se tornam indispensáveis.

O DigiSaúde desenvolverá instrumentos de modelagem que integram dados multimodais - climáticos, epidemiológicos, sociais e de mobilidade - para investigar e antecipar os efeitos das mudanças ambientais sobre a saúde da população. O projeto também construirá uma plataforma de integração de dados que otimize o uso dos recursos existentes e amplie a capacidade analítica disponível para pesquisadores e gestores.

Ao traduzir medidas quantitativas complexas em informações interpretáveis, o projeto aproxima a fronteira da ciência computacional das necessidades práticas da saúde pública. O resultado será uma infraestrutura tecnológica nacional de referência, capaz de apoiar decisões em tempo real e contribuir para respostas mais inteligentes aos desafios sanitários impostos pela crise climática.

Produzir conhecimento científico de qualidade é apenas parte do desafio. Para que a ciência transforme realidades, ela precisa chegar até as pessoas certas — gestores que tomam decisões, profissionais que atuam na ponta do sistema e cidadãos que têm o direito de compreender os riscos que os afetam.

O DigiSaúde adota a comunicação como uma dimensão estratégica, não complementar. O projeto produzirá notas técnicas, documentos de orientação e materiais acessíveis destinados a diferentes públicos, além de atuar em canais de comunicação direta com a sociedade e com a comunidade científica.

O objetivo é garantir que os resultados das pesquisas cheguem de forma clara, oportuna e útil — especialmente em contextos de emergência epidemiológica, quando a desinformação pode custar vidas. Ao unir rigor científico e linguagem acessível, o DigiSaúde reafirma seu compromisso com uma ciência que dialoga, que informa e que contribui ativamente para a construção de uma sociedade mais saudável e mais bem preparada para os desafios do futuro.

Projeto para sequenciamento, monitoramento e integracao de dados para resposta epidemiologica.

Apoio

Projeto voltado a consolidacao de infraestrutura analitica para monitorar efetividade vacinal e risco populacional.

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